Login






Esqueceu a senha?
Sem conta? Criar Conta!

Assine nosso Boletim informativo






Advertisement
Principal arrow Artigos arrow Vinicius O. S. Guimarães arrow Um Discurso Prático da Fé
Um Discurso Prático da Fé

vc

“Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” [Filipenses 3:17-18]

 

A quase espontânea capacidade de incrimar alguém é proporcional ao interesse de outro em se safar de um erro, pois quando se culpa alguém os olhos se voltam para o acusado, não para o acusador. Por esta razão um dos mais inquietantes discursos de Jesus Cristo foi acerca da hábil facilidade do ser humano de estender o braço e erguer o dedo indicador para outrem e culpá-lo de algo. Isto fica notório em Mateus 7:3: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?”. Observe que Jesus repreende os fariseus não por terem a capacidade de apontar as falhas alheias, mas sim de serem incapazes de observar seus próprios desacertos. Portanto, o cerne da questão não é o motivo do julgamento, mas sim as vivências de quem está julgando.

 

O erro dos fariseus não era o fato de acusar, mas sim o de não terem capacidade de praticar o que acusavam. Isto fica explícito no texto de Mateus 23:4: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles (fariseus), porém, nem com o dedo querem movê-los” – destaque do autor. Por esta razão Jesus adverte os fariseus: “Não julgueis, para que não sejais julgados” - Mateus 7:1. Jesus não queria recriminar o fato de se julgar, mas sim a incompatibilidade prática (ações/obras) daqueles que acusam. Por isto os fariseus seriam julgados, por não viverem aquilo que exigiam dos outros. Em concordância a este postulado o versículo subseqüente afirma: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” - Materus 7:2.

 

A inquietante advertência de Cristo aos fariseus se resume da seguinte maneira: antes de apontar os erros de alguém atente primeiramente se você está praticando o que exige dos outros, pois é isto que igualmente exigirão de você. Portanto, o conceito de “fariseu” não é sinônimo de acusador (julgar), mas é aplicável para com aqueles que culpam os outros de algo que ele próprio não vive. Então, contextualizando, pode-se afirmar que nas vivências eclesiásticas a história farisaica se repete, pois há muitos que impõem aos demais diversas obrigações sem que os mesmos as pratiquem. A semelhança dos fariseus, muitos cristãos tem se munido de belos discursos espirituosos e de um puritanismo desmedido, pois assim podem se esconder atrás de suas vidas inglórias e culpar outros pelos seus fracassos ministeriais.

 

Os fariseus pós-modernos se mostram nas igrejas evangélicas estampando uma superioridade espiritual inatingível, pois assim evitam que outros julguem na medida em que estes estão julgando – já que no ambiente eclesiástico as pessoas tem medo de julgar os “espirituais” (leia-se lideres religiosos, semelhantes ao “encargo” de fariseus nos tempos bíblicos). Estes confundem (de forma intencionalmente) o termo insubmissão com o conceito de contestação. Segundo os dicionários o termo “insubmisso” se refere a alguém que seja altivo e independente. Contrariamente, o termo “contestação” se refere à capacidade de negar a rigorosidade de alguém. Por tanto, não é insubmissão questionar aqueles que estão nos pedestais exigindo algo das massas, é contestação – isto é bom para o cristianismo, mas ruim para os fariseus.

 

Os fariseus dos tempos contemporâneos gostam de apontar inúmeras falhas eclesiásticas, são capazes de propor muitas estratégias evangelísticas, se alegram com sugestões inovadoras para o culto e se rejubilam com o fato de poderem fazer melhor do que já é feito. Entretanto, estes são incapazes de colocar em prática a menor das homilias – por esta razão são fariseus. Devido à presença indiscutível dos fariseus no seio das igrejas é que, por fim, se aprende a não mais dar tanto valor para o que as pessoas dizem, e então, se aprende a arte de escutar o que as pessoas fazem. Esta é a gritante diferença entre fariseus e cristãos, o primeiro se limita ao falar, o segundo se satisfaz em fazer.

 

Os fariseus eclesiais da atualidade sempre tendem a ter “dois pesos e duas medidas” – sobre os outros é pesado, sobre si próprio é leve. Portanto, é válido relembrar o poema: “Quando outra pessoa não faz algo, é preguiçosa; quando eu não faço, estou ocupado. | Quando outra pessoa reclama, é intrigante; quando eu falo, é crítica construtiva. | Quando uma pessoa teima, é cabeça-dura; quando eu faço, estou sendo firme e coerente. | Quando outra pessoa fala de si mesma, é egocêntrica; quando falo, preciso desabafar. | Quando outra pessoa encara os dois lados do problema, é indeciso e fraco; quando eu o faço, sou compreensivo. | Quando outra pessoa faz algo sem ordem superior, estava excedendo suas funções; quando eu o faço, é iniciativatexto de autor anônimo”.

 

Enquanto as igrejas ainda continuarem sendo o recôndito para os fariseus, então, a frase de Margaret Mead (antropóloga, 1901-1978) continuará a ecoar: “O que as pessoas dizem, o que as pessoas fazem e o que elas dizem que fazem, são coisas inteiramente diferentes”. Portanto, a igreja evangélica brasileira precisa de cristãos que ousem questionar (julgar) sem medo de igualmente serem julgados na mesma medida; cristãos que não sejam espirituosos, mas sim espirituais, ao ponto de entenderem que são seres humanos passivos de erros; cristãos pensadores que ousem romper a medíocre linha do discurso e arrisquem sofrer as conseqüências do fazer.

 

Por fim, é válido criar um diálogo entre dois grandes pensadores ativistas, Martin Luther King, que afirma: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. E, Edmund Burke, que completa: “Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só podia fazer pouco”.

 

Que Deus nos ajude!

 

Todos os textos bíblicos citados neste artigo são da versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel – ed. 1994


pe

 

--

É permitido baixar este arquivo, copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite a autoria e fonte do mesmo. Usado através de permissão concedida por Vinicius O. S. Guimarães – Missão Tocando as Nações (www.mtn.org.br | www.setal.org.br | www.cofe.org.br), Goiânia, Goiás, Brasil.

*Vinicius O. S. Guimarães ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ) é natural de Goiânia, Goiás, Brasil, casado com Priscilla Dayana A. B. Guimarães. Escritor dos livros “Conversão – uma mudança de vida”, “A Bíblia fazendo história”, “Lições do Maestro” e “Pescadores de Vidas”. Bacharel em Teologia com concentração em Missiologia pelo Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB), bacharel em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), especialista em Estudo da Bíblia pela Faculdade Evangélica de Teologia de Belo Horizonte (FATE-BH), especializando em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica pela Universidade Gama Filho (UGF) e mestre em Ministério com concentração em liderança pela Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID). Colaborador da Revista Linha Aberta (Florida – USA), membro da Associação de Professores de Missões do Brasil (APMB), presidente da Missão Tocando as Nações (MTN), diretor do Seminário Evangélico de Teologia da América Latina (SETAL) e pastor da Comunidade da Fé (COFE) em Goiânia. Atualmente leciona no Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB), no Seminário Pentecostal de Goiás (SEPEGO), na Escola Teológica das Igrejas de Cristo (ETIC), no Instituto Unificado de Ensino Superior OBJETIVO e no Seminário Evangélico de Teologia da América Latina (SETAL).

--

Comentários
Pesquisar RSS
Somente usuários registrados podem escrever comentários!

3.20 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
< Anterior   Próximo >
     

© 2010 Missão Tocando as Nações
Assine o feed RSS da MTN
RSS 2.0