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A CORRETORA DE SEGURO CELESTIAL
Por Vinicius O. S. Guimarães*
Ao sintonizar a rádio em um programa cristão qualquer, ou ao assistir a um canal evangélico na televisão, ou simplesmente participar de um culto dominical tem se tornado um grande desafio para qualquer pessoa com um mínimo de postura bíblica. As aberrações teológicas são incontáveis e a cada dia ficam mais bizarras. Os erros hermenêuticos atingem a escala máxima de tolerância. As infantilidades imperam na tribuna eclesial. Ao que parece, infelizmente, a igreja do século XXI esqueceu o que é ser igreja. E como demonstração pública destas euforias evangelicais se percebe que fora construído um conceito (distorcido) do que é dízimo.
Ao ministrar uma aula em um determinado seminário um aluno fez o seguinte questionamento: "professor, tenho uma dúvida, ou melhor, estou em crise. Sempre aprendi que pelo fato de ser dizimista Deus tinha que me proteger e a minha vida tinha que prosperar. Estou plantando (dizimando), porém não estou colhendo, por quê? Nunca deixei de dar o dízimo!". Confesso que fiquei por alguns instantes tentando entender a lógica evangelical do pensamento deste aluno. Contudo, não há muito o que se fazer quando exemplos como estes aparecem, simplesmente tem-se que lamentar. De uma forma assustadora os cristãos estão sendo afeados no que tange a leitura de Deus, de cristianismo, de igreja e de dízimo (tendo por base o caso citado), estas deformações cristãs são resultados claros de um cristianismo empobrecido pelo lucro do ser "igreja".
O dízimo se tornou uma parcela mensal a ser pago na "corretora de seguro celestial", cujo proprietário seria o próprio Deus, tendo como representante na terra a Igreja. Nesta linha de pensamento, que muitas igrejas insistem em defender, Deus "assina" um contrato assumindo a responsabilidade de enviar dinheiro, saúde, prosperidade e tudo mais de bom que possa existir, desde que você (sim, você) seja fiel no pagamento das parcelas (leia-se dízimo). Fica patente que aqui o dízimo se torna uma troca com Deus, o que não deveria ser. Mas, aproveitando o momento vamos imaginar se a moda pega, sendo assim a igreja evangélica vai promover a falência de inúmeras corretoras de seguro, pois se o dízimo protege tudo, então para que fazer seguros, isto seria desconfiança no acordo feito com Deus.
Há alguns que ousam arriscar palpites aparentemente irônico, porém não menos passivo de possibilidade, onde sugerem a criação do dízimo "pula-pula", onde você paga num mês e recebe o valor em bênçãos no mês seguinte, você paga num mês e recebe no outro, é a evolução dizimal! Isto até parece algo distante da realidade eclesiástica atual, mas talvez não tão distante quanto se imagina, pois em algumas igrejas já estão presenteando publicamente os dizimistas fieis, então, ao que parece a roupagem é diferente, mas a idéia é a do dízimo "pula-pula". Nesta concorrência para ver quem fideliza o cristão vale tudo, até quem sabe baixar o dízimo para 8 %, tendo assim um diferencial frente à concorrência (leia-se outras igrejas). Afinal, as massas estão procuram uma igreja que tenha muito a oferecer e que exija pouco dos seus membros.
A terrível realidade pós-moderna assusta e indubitavelmente amedronta a fé simples apresentado pelo carpinteiro Jesus. Numa perspectiva não tão irônica percebe-se que a igreja evangélica está se tornando gradativamente num clube, apenas para análise façamos um paralelo entre a igreja atual e um clube recreativo, veja as semelhanças: em ambos há mensalidades (dízimos), lazer, festas, associados (membros), campos de futebol, piscinas, reuniões, música, danças e etc. Tudo para dar mais comodidade e conforto para os dizimistas fieis (associados). Entretanto, o dízimo não deveria ser gasto visando o bem estar dos dizimistas, aliás até nisto há semelhança, pois um clube reverte o dinheiro dos associados nos próprios associados e paralelamente os dizimistas também estão exigindo ser beneficiados com os dízimos. Os dízimos deveriam ser uma fonte de recursos para realização dos propósitos de Deus e expansão do Reino.
O dízimo deveria ser uma manifestação de gratidão a Deus e de notório cooperativismo eclesiástico com fins a cumprir os objetivos cristãos estabelecido pelo próprio Deus. O presente texto não é uma apologia anti-dízimo, para tanto se faz necessário ratificar que o problema não está no dízimo, a questão é porque as pessoas estão dando o dízimo. Nesta guerra não há vencedores, portanto, tentando reorganizar alguns valores quero parafrasear o discurso de posse do ex-presidente dos EUA J. F. Kennedy: "não pergunte para Deus o que Ele pode te oferecer, mas pergunte o que você pode oferecer para Deus". Por fim, em defesa da fé, vale bradar: dízimo não é uma negociação com Deus!
Que Deus nos ajude!
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É permitido baixar este arquivo, copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite a autoria e fonte do mesmo. Usado através de permissão concedida por Vinicius O. S. Guimarães - Missão Tocando as Nações (www.tocandoasnacoes.com), Goiânia, Goiás, Brasil.
*Vinicius O. S. Guimarães (vinicius@tocandoasnacoes.com) é natural de Goiânia - Goiás - Brasil, casado com Priscilla Dayana A. B. Guimarães. Escritor dos livros "Conversão - uma mudança de vida", "A Bíblia fazendo história", "Lições do Maestro" e "Pescadores de Vidas". Bacharel em Teologia com concentração em Missiologia pelo Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB), bacharel em Administração Geral pela Universidade Católica de Goiás (UCG), especialista em Estudo da Bíblia pela Faculdade Evangélica de Teologia de Belo Horizonte (FATE-BH), especializando em Docência Universitária pela Faculdade de Goiás (FAGO), mestre em Ministério com concentração em liderança pela Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID). Colaborador da Revista Linha Aberta (Florida - USA), membro da Associação de Professores de Missões do Brasil (APMB), presidente da Missão Tocando as Nações (MTN) e pastor da Comunidade da Fé (COFE) em Goiânia. Atualmente leciona na Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID), no Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB) e no Instituto Unificado de Ensino Superior OBJETIVO.