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A VIDA CRISTÃ EXEMPLAR
Por Fernando Guimarães*
Apesar do grande crescimento do número de evangélicos no Brasil - já são 45,6 milhões, 24% da população brasileira - ainda há muita confusão sobre como servir a Deus, ou seja, o que Ele espera dos seus servos. Ao contrário das fórmulas mirabolantes que se encontra nas comunidades gospels, que envolvem regras e campanhas sem fim, parece que a Palavra de Deus chama a atenção para a mente e o coração do crente.
Iniciando a análise do verso bíblico citado acima, sabe-se que Pedro escreveu esta primeira Carta às igrejas plantadas na Ásia Menor (1 Pedro 1.1) - atual Turquia - com o principal objetivo de fortalecer e preparar os cristãos destas igrejas a suportarem com alegria e esperança a perseguição por serem cristãos. "[...] a ira do louco imperador, Nero, estava prestes a explodir em Roma, a expensas da Igreja" . Neste contexto, Pedro aponta o caminho para a vida cristã segundo a vontade de Deus.
A primeira parte do verso, "[...] santifiquem Cristo como Senhor em seu coração [...]", traz o primeiro ensinamento. Talvez em uma leitura rápida, este verso pareça estranho. Será que se pode tornar Cristo mais santo? É claro que não. A palavra "santificar" (em grego, hageeadzo) tem aqui seu significado mais básico: separar exclusivamente, consagrar. Em outras palavras, o que Pedro está advertindo é que você separe Cristo como único Senhor do seu coração.
Refletindo a partir do contexto histórico, onde ser cristão era perigoso, o medo seria o primeiro concorrente a senhor do coração. O medo de ser torturado, ou até morto, era uma forte tentação no coração dos cristãos. O próprio autor, Pedro, sabia muito bem o que era sentir medo, tanto que negou a Cristo três vezes (João 18.15-18, 25-27). Talvez em um país como o Brasil, livre de perseguição, a maioria dos cristãos não seja tentada a dividir o "reino" do seu coração entre Cristo e o medo da tortura e morte. Porém, é diariamente tentada pelo medo da discriminação e ofensa por serem cristão. Muitas vezes chamado de "quadrado", por ter princípios de moral e ética, de ignorantes ou não intelectuais, por acreditar em algo que não se vê e não se pode levar para algum laboratório para ser estudado. Estes medos dividem o coração e atrapalham no cumprimento da missão que o Senhor deixou para seus servos.
O restante da carta aponta outro forte concorrente a senhor do coração do crente: os desejos carnais. Pedro alerta: "[...] vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma" (1 Pedro 2.11, NVI). Em outra parte ele diz: "Portanto, livrem-se de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência" (2.1, NVI). O coração do crente diariamente é tentado a retirar Cristo do trono e colocar a carne. "Centralizar em si mesmo, em vez de dar a centralidade a Cristo" . É se sujeitar às inclinações da natureza pecaminosa, ao contrário de se subordinar ao comando do amoroso Senhor Jesus Cristo.
A segunda parte do verso analisado diz: "[...] Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês" (1 Pedro 3.15b). Importante aspecto de colocar Cristo como Senhor do coração é a prontidão para confessá-Lo . O crente deve estar preparado para responder a qualquer pessoa que perguntar a razão da sua fé. Perguntas como: por que você leve este estilo de vida? Por que você crer desta forma?
O preparo do crente envolve dois caminhos. Primeiro, buscando conhecer a Bíblia, através da leitura diária, aprofundando no estudo e na aplicação pessoal. Para uma melhor compreensão das doutrinas Bíblicas, é importante que esta leitura diária seja acompanhada de boas ferramentas, tais como Bíblias de estudo, e comentários, dicionários e enciclopédias Bíblicas. Estas ferramentas ajudam na interpretação Bíblica saudável e na aplicação coerente à vida pessoal. O crente precisa ter a mente cheia do conhecimento da Palavra de Deus.
O segundo caminho no preparo do crente envolve a compreensão do mundo a sua volta. Caso contrário, o crente corre o risco de se encher de respostas para perguntas nunca feitas. Se o crente pouco se envolve com o não-crente, como pode saber quais as angústias e dúvidas que estão no coração do perdido? Como o crente compreenderá a cosmovisão secular, se as músicas, teatros, filmes, etc. aos quais os crentes têm contato são, quase sempre, gospels? Se o crente quiser ter respostas relevantes, precisará conhecer a "cabeça" do perdido, e então ouvir suas perguntas.
Finalizando, para servir a Deus como Ele espera, fugindo de algumas fórmulas exteriores e superficiais, é necessário que o crente tenha o coração governado por Cristo e a mente cheia do conhecimento da Palavra de Deus e das angústias e aflições dos perdidos.
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É permitido baixar este arquivo, copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite a autoria e fonte do mesmo. Usado através de permissão concedida por Fernando Guimarães - Missão Tocando as Nações (www.tocandoasnacoes.com), Goiânia, Goiás, Brasil.
*Fernando Guimarães (fernando@tocandoasnacoes.com) é Coordenador da Escola de Missões e é um dos responsáveis pela Coordenação de Missões e Assistência Social da Missão Tocando as Nações em Goiânia (Goiás - Brasil).